Falhas sistêmicas no INSS causaram prejuízo de R$ 233 milhões e travam análise de 1,7 milhão de processos
O INSS estima um prejuízo de R$ 233,2 milhões por conta de falhas consecutivas em sistemas operacionais utilizados pelos servidores do instituto para analisar...
O INSS estima um prejuízo de R$ 233,2 milhões por conta de falhas consecutivas em sistemas operacionais utilizados pelos servidores do instituto para analisar e conceder aposentadorias, pensões e auxílios. A Dataprev é a empresa de tecnologia responsável por gerir esses sistemas. De acordo com uma nota técnica conjunta à qual a GloboNews teve acesso, que abrange o período de dezembro de 2024 a fevereiro de 2026, de 5% a 15% das análises de benefícios foram afetadas por conta de problemas nesses sistemas, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2026. Em alguns meses, o percentual de análises afetadas chegou a ser muito maior. Em fevereiro deste ano, quase 40% das análises foram impactadas por esse tipo de problema. Em novembro de 2025, cerca de 30%. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O documento foi publicado originalmente em 17 de março e, segundo pessoas ligadas ao instituto, as falhas apontadas afetam diretamente a velocidade de redução da chamada fila do INSS. ➡️O prejuízo bilionário representa o custo da remuneração de servidores que, embora estivessem à disposição da administração, ficaram impedidos de trabalhar devido a falhas tecnológicas. Esse entrave com a Dataprev teria sido um dos fatores que pesaram na demissão do ex-presidente do órgão, Gilberto Waller. Ele deixou a função nessa segunda-feira (13), e foi substituído pela servidora de carreira Ana Cristina Silveira. Em nota, a Dataprev informa que "não teve acesso à nota técnica interna do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), datada em 17 de março, e desconhece a metodologia e critérios utilizados para estimar um suposto prejuízo financeiro ao erário em razão de "incidentes sistêmicos'" (veja na íntegra mais abaixo). Filas incomodam governo O relatório evidencia que o problema tecnológico é um dos principais vilões no andamento das filas do INSS. Durante os 15 meses analisados, aproximadamente 1,75 milhão de processos deixaram de ser analisados em decorrência direta das falhas sistêmicas. A paralisação das ferramentas de trabalho comprometeu cerca de 15,72% da capacidade produtiva potencial do instituto no período. Esse represamento contribui significativamente para o estoque de pedidos pendentes, que ao final de fevereiro de 2026, alcançou a marca de 3,1 milhões de requerimentos aguardando análise. Um levantamento feito pela Globonews com base em dados oficiais do INSS revelou que, no 1º semestre de 2025, em pelo menos 67 dias foram registradas falhas nos sistemas. Em alguns casos, eles chegaram a ficar horas ou até mesmo dias consecutivos fora do ar. INSS faz mutirão para tentar diminuir a fila de quem espera por perícia ou BPC Reprodução Meses críticos e perda de produtividade Os dados mostram que as instabilidades não foram uniformes, apresentando picos de extrema gravidade em que o sistema praticamente parou. Os meses mais afetados foram: Fevereiro de 2026: 39,8% de impacto sobre a produção. Julho de 2025: 38,9% de impacto. Novembro de 2025: 28,6% de impacto. Nesses períodos, a capacidade de resposta do INSS às demandas da sociedade foi drasticamente reduzida, afetando o tempo de espera dos cidadãos por benefícios previdenciários e assistenciais. Responsabilização da Dataprev Diante do diagnóstico, o INSS avalia o fortalecimento de medidas de gestão contratual para responsabilizar a Dataprev pelas perdas. A nota técnica sugere o encaminhamento dos autos à Procuradoria Federal Especializada para apurar fundamentos jurídicos que permitam a cobrança de prejuízos causados pelas instabilidades. Para a administração do Instituto, a regularidade dos sistemas é "condição crítica" para o cumprimento de suas atribuições e para garantir o acesso tempestivo dos brasileiros aos seus direitos. Além da dimensão operacional e financeira, as falhas impactam a própria imagem institucional e a resolutividade do serviço prestado ao cidadão. O que diz a Dataprev Veja a manifestação na íntegra: "A Dataprev é uma empresa pública de tecnologia, parceira estratégica do Governo Federal na manutenção e ampliação de iniciativas de digitalização, automação de processos e transformação digital dos serviços públicos. Sobre os sistemas previdenciários mantidos pela empresa, a Dataprev esclarece que: 1. A empresa não teve acesso à nota técnica interna do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), datada em 17 de março, e desconhece a metodologia e critérios utilizados para estimar um suposto prejuízo financeiro ao erário em razão de “incidentes sistêmicos”, conforme mencionado pela reportagem; 2. Nos contratos firmados com o INSS, a Dataprev opera com Acordos de Nível de Serviço (ANS), baseados em métricas amplamente utilizadas no mercado de TI, que estabelecem metas de disponibilidade das aplicações de 98%; 3. O INSS possui dezenas de serviços, sendo assim, não é adequado somar os tempos dos incidentes, uma vez que se tratam de ocorrências pontuais, em serviços específicos, e de curta duração média. Entre 2024 e 2025, a empresa registrou disponibilidade superior a 96% nas medições realizadas nos serviços prestados. Em 2026, até meados do mês de março, não foram identificadas quebras de ANS. No período, o valor mínimo de disponibilidade apurado nos serviços foi de 98,50%; 4. Os contratos também preveem a aplicação de penalidades, quando há descumprimento de cláusulas contratuais; 5. A Dataprev ressalta que, para um diagnóstico completo de eventuais instabilidades, é necessário considerar também fatores externos, como infraestruturas locais e condições de conectividade das redes de acesso, sobre as quais a empresa não possui controle nem visibilidade; 6. Há 51 anos, a Dataprev processa em dia os pagamentos dos benefícios previdenciários para mais de 42 milhões de cidadãos e cidadãs brasileiras, sem atrasos. Brasília-DF, 14 de abril de 2026".